Não posso adiar o amor para outro século não posso ainda que o grito sufoque na garganta ainda que o ódio estale e crepite e arda sob as montanhas cinzentas e montanhas cinzentas
Não posso adiar este braço que é uma arma de dois gumes amor e ódio
Não posso adiar ainda que a noite pese séculos sobre as costas e a aurora indecisa demore não posso adiar para outro século a minha vida nem o meu amor nem o meu grito de libertação
Vô contá como é triste, vê a veíce chegá, vê os cabêlo caíno, vê as vista encurtá. Vê as perna trumbicano, com priguiça de andá. Vê "aquilo" esmoreceno, sem força prá levantá. As carne vão sumino, vai parecêno as vêia. As vista diminuíno e cresceno a sombrancêia. As oiça vão encurtano, vão aumentano as orêia. Os ôvo dipindurano e diminuíno a pêia. A veíce é uma doença que dá em todo cristão: dói os braço, dói as perna, dói os dedo, dói a mão. Dói o figo e a barriga, dói o rim, dói o pulmão. Dói o fim do espinhaço, dói a corda do cunhão. Quando a gente fica véio, tudo no mundo acontece: vai passano pelas rua e as menina se oferece. A gente óia tudo, benza Deus e agradece, correno ligeiro prá casa, procurano o INSS. No tempo que eu era moço, o sol prá mim briava. Eu tinha mil namorada, tudo de bão me sobrava. As menina mais bonita, da cidade eu bolinava. Eu fazia todo dia, chega o bichim desbotava. Mas tudo isso passô, faz tempo ficô prá tráis as coisa que eu fazia, hoje num sô capaiz. O tempo me robô tudo, de uma maneira sagaiz. Prá falá mesmo a verdade, nem trepá eu trepo mais. Quando chega os setenta, tudo no mundo embaraça. Pega a muié, vai pra cama, aparpa, beija e abraça, porém só faz duas coisa: solta peido e acha graça.
Encontrei um verso fraturado, caído na esquina da rua do lado, Tinha se perdido de um coração saudoso que passava por ali, desiludido. Coloquei-o de pé, emendei seus pedaços, refiz suas linhas, retoquei seus traços. Afaguei suas dores como se fossem minhas. Agora, novamente estruturado, espero que ele não olhe para trás e não misture sonhos com amargas falências do passado; que saiba enfeitar a estrela lá na frente com fartos laços de rima colorida. ... pois é para o futuro que caminham todos os passos apressados desta vida.