Tenho fases, como a lua, Fases de andar escondida, fases de vir para a rua... Perdição da minha vida! Perdição da vida minha! Tenho fases de ser tua, tenho outras de ser sozinha.
Fases que vão e que vêm, no secreto calendário que um astrólogo arbitrário inventou para meu uso.
E roda a melancolia seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém (tenho fases, como a lua...). No dia de alguém ser meu não é dia de eu ser sua... E, quando chega esse dia, o outro desapareceu...
Não me ouvirás ...É vão ... Tudo se espalha Pelos ermos de azul ... E permaneces Sobre o vale das súplicas e preces Com solenes grandezas de muralha ...
Minha alma, sem Te ouvir nem ver, trabalha Tranqüila. Solidão ... Desinteresses ... Por que pedir? De tudo que me desses Nada servirá a esta existência falha...
Nada servirá, agora ... E, noutra vida, Oh, noutra vida eu sei que terei tudo Que há na paragem bem-aventurada ...
Tudo – porque eu nasci desiludida E sofri, de olhos mansos, lábio mudo, Não tenho nada e não pedindo nada ...